O começo do fim

Meu último dia 1º de junho começou em um trem, entre cochiladas e acordadas e, quanto mais o trem se aproximava do destino final (Strasbourg) mais cinza e chuvoso ficava o tempo. Eu já havia olhado a previsão do tempo, mas ainda tinha esperanças de um tempo bom, que não veio. Enfim cheguei e, logo de cara eu pensei: “Eu poderia morar de bob’s aqui”. É o lugar da França (dos poucos que vi) com mais cara de não-França que já vi (claro, a cidade é aos pés da Alemanha), não que isso seja bom ou ruim, mas dá a impressão de que você está em outro País, o que é divertido e curioso. As casinhas são apaixonantes, mas não são o meu ideal de casa própria (?), porém eu gostei muito delas. O triste é que, com quase um dia inteiro de viagem, um hotel que só liberava o check-in à partir das 14h, uma mochila de (ainda não entendo que lombra foi essa que me deu pra levar tanta coisa pra menos de 2 dias fora) quase 8kg, e um show a noite para ir, eu praticamente não conheci a cidade.

IMG_4968Domo na Catedral da cidade. Dá pra perceber que ela é i-men-sa?

IMG_4981Encontre o elemento estranho

IMG_4993Casinhas e um céu feio :(

Do pouco tempo que fiquei, pude perceber que a cidade é bem movimentada, que a relação de população-masculina-provida-de-beleza é quase tão boa por lá quanto em Lisboa, que as casas e prédios em geral, tendem a serem bem altos o que, em ruas estreitas, dá uma sensação não muito legal (principalmente se você está com um mapa na mão e meio perdida tendo como única companhia seu bichinho estranho de pelúcia). E claro, os nomes das ruas são um espetáculo à parte. Eu simplesmente não conseguia pronunciar nenhum deles D:

IMG_4961Era daí pra pior os nomes das ruas

Enfim, o show. Lindsey Stirling. Ieeeeei! \o/

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Cheguei 1h e 30 antes da entrada ser liberada e a fila já estava alcançando quase o começo da rua. Ieeeeeeei!  ¬¬ Bom, esse foi de longe o show com a pior visibilidade que já tive. Era algo em um nível onde nem de pontinha de pé eu conseguia ver algo, porque além de estar relativamente longe e ser totalmente desprovida de uma “altura de gente”, ainda tinha um Cara de uns 3 metros na minha frente. Levando em consideração que você está em um show de uma violinista que dança, onde o show é exatamente VER a performance da moça, bom, ver a apresentação pelas telas das câmeras alheias ou pela sua própria telinha não é bem o sinônimo de algo consolador. E eu estava MUITO cansada. Cogitei mesmo ir embora com 1h de show. Anyway.

collage.jpgFrustrações à parte, ela se apresentou lindamente.

Quando ela parava pra falar com a platéia eu (óbvio) não entendia muita coisa (ai donti ispiki inglishi mai bródi), mas peguei algumas coisas no ar e ela parecia realmente muito feliz de estar ali, o que achei muito fofo. Ela parecia dizer em um momento que as pessoas não acreditavam nela e hoje, olha só, um monte de gente pirando lá pra vê-la, assistindo pelo youtube os vídeos dela e tudo mais. Antes dela tocar um medley do Senhor dos Anéis, ela chamou um cara de cosplay que estava na platéia e ele felicíssimo pediu pra tirar foto com ela, e no final se ajoelhou e beijou a mão da Lindsey, em agradecimento. Foi super cute! :)

Ah é, não me deixaram entrar com a minha câmera boa, a bateria da minha digital acabou antes da metade do show (no meio da gravação do medley do Senhor dos Anéis), e eu ainda não sabia qual o lado “certo” pra filmar com o celular /aplausos :(

Eu queria realmente ter aproveitado bem esse show, ter surtado um pouquinho, mas não tinha muita graça fazer isso quando eu só via cabeças na minha frente (ou me esforçar pra “assistir” as gravações alheias ahaha). Acabou que passei a maior parte do tempo tentando filmar algo pra ver o que estava acontecendo (?). Pelo menos consegui um registro mais ou menos decente de uma das minhas músicas preferidas *-*

Durante o show tiveram algumas surpresinhas como uma pequena homenagem ao Michael Jackson.

Foi o moonwalker mais lindo que já vi!

E, para abalar completamente as minhas estruturas, ela fez uma versão de My Immortal, que quase me levou à loucura/lágrimas/desfalecência/surto.

O registro ficou tenso, eu sei =T Mas enfim. O show acabou durando menos do que eu esperava e terminou da forma mais estranha que já vi. Durante o show a Lindsey e, ocasionalmente, a banda, saiam do palco algumas vezes pra Lindsey trocar de roupa. Lá pelas tantas eles saíram mas não teve aquela “despedida” (ou se teve eu não me dei conta) da platéia. Então eu e mais um bom bocado de pessoas ficamos esperando eles voltarem, pensando que era aquele charme-de-final-de-show que sempre rola. Até que algumas pessoas começaram a ir embora. E outras. E mais outras. Não é possível, eles vão voltar! Mais um bocado de gente “pegando o beco”. Ok… E assim acabou. Meu último show nessa Europa. Minha última viagem antes de ir embora. Minha ida mais ao Leste da Europa. Acabou.

collage2.jpgNo domingo eu tinha umas boas 8h de trem pela frente, que foram recheadas de emoção. O trem teve um problema técnico nas portas e acabou com um atraso de quase uma hora, sendo que esse era exatamente o tempo de conexão que eu tinha em Montpellier. No final das contas, cheguei exatamente na hora do meu segundo trem e, graças aos Céus ele estava atrasado em 10 minutos, tempo suficiente pr’eu descer e subir umas 3 escadas em busca da minha plataforma de embarque, atravessar correndo uma plataforma (novamente errada) pra pegar um elevador e correr até o fim da plataforma (a certa \o/ ), onde eu tinha que embarcar. E foi assim, o começo do fim da minha saga na Europa :)

Sobre hibernação, liberdade e realização

Um dia inteiro de apresentações dos rapports de conclusão de curso. O equivalente ao nosso TCC, só que mais levinho, porém tenso o suficiente pra quem é estrangeiro e fala feito índio que nem eu. Apresentação marcada para às 14:30 do dia 3 de junho, só pra dar aquela indigestão, ieeei! Dor de cabeça das brabas desde a noite anterior. À beira de um colapso nervoso? Siiiiiim!

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O plano era: ver o que eu conseguia apresentar sem ter que ler os slides, marcar os pontos onde eu necessariamente iria ler na apresentação, e levar um roteiro de 3 páginas pra uma apresentação de 15 minutos, a mais longa até agora, e no nível expert: En parlant français. Tudo isso pra evitar o “erro no sistema” que sempre tenho em seminários: Acho que estou preparada e, quando chega o momento, parece que estou rolando barranco abaixo e simplesmente não consigo pensar no que estou falando, só falo e, não pensando, esqueço mais da metade do que tinha planejado falar. Como o nível de exigência pro trabalho de conclusão de curso aqui não é tão alto como nas apresentações de TCC que já vi no BR, me dei ao luxo de fazer uma pequena cola de 3 páginas e foi só torcer pra não ter um colapso nervoso (o que, lhes garanto, quase aconteceu).

Explicando: pelo que pude perceber, não há uma familiarização com essa coisa de laboratórios e relatórios científicos dos alunos da graduação na FR, até porque invariavelmente a graduação só dura 3 anos, o que explica porque o nível de exigência do trabalho de conclusão de curso deles é inferior, em comparação com o que estamos acostumados no BR. Isso pelo menos foi o que pude constatar com a minha experiência na Uni que estou, mas acredito que o padrão não muda muito. Então, eu não estou falando aqui de uma mega-defesa-de-monografia. Se trata mais de um relatório de revisão bibliográfica nos moldes de uma produção científica com citações e aquele mimimi todo, onde tínhamos um orientador, um avaliador (que não necessariamente precisa ser da área do seu tema de estudo) e um máximo de 26 páginas à preencher. Consegui 12, quase morrendo. Ou seja, era só um seminário de 15 minutos sobre um relatório, onde no final o avaliador iria lhe esculachar. :)

Então, um dia antes da apresentação, comecei a pirar lindamente. Não sabia como encarar o fato da minha avaliadora ser leiga no assunto que tratei. Talvez por ela não conhecer nada, ela quisesse conhecer tudo e fizesse horrores de questões escabrosas, ou talvez ela por não conhecer nada, não tivesse questões muito estrambólicas (meu palavreado tá bem estranho ultimamente). Bom, acho que o que acabou acontecendo foi a segunda opção. Durante a apresentação eu tive vários erros no sistemas e panes. Senti a voz tremer. Tive a infelicidade de segurar uma lapiseira por metade da apresentação e mostrar a todos o quão nervosa estava girando aquela porqueira loucamente. Ou seja: eu estava praticamente surtando. Li um bocado de frases porque acabei esquecendo o que tinha que comentar, o que também me deixou bastante tensa porque eu sou a pessoa mais chata e perfeccionista do mundo com essa coisa de “boa apresentação”, apesar do meu nervosismo. Quem já fez trabalho em grupo comigo sabe o quão chata e detalhista eu posso ser :)))

Enfim, acabou.

E o coordenador, que passou o dia distribuindo kamehameha’s e hadouken’s pros alunos disse: 15 minutos em ponto! Meu primeiro risinho tentando conter minha felicidade, mas as Mini Priscila’s da minha cabeça estavam assim:

00 (6)Ok, te controla menina! E a minha avaliadora começou a falar e, de início já me parabenizou por essa coisa de ser estrangeira e blá blá blá e estar me apresentando blá blá blá, eu vou desmaiar!  Tive espasmos retardados de sorrisos bobos, que depois desceu pro pescoço (?). Te controla, te controla. Depois, mais elogios: por ter citado e referenciado direitinho (como disse, os alunos aqui não estão muito familiarizados por isso. Muitos foram seriamente criticados nesses aspectos =\ ),  pela forma de apresentação, pela organização, pelas boas definições. Obrigada Mãe, Pai, Labomar, Zoobentos, professores que já “escatitaram” meus trabalhos… *-*
Depois, o que não costumou acontecer nas outras apresentações, dois outros professores fizeram comentários sobre algum ponto do meu tema (em geral, só o orientador e o avaliador falavam), minha orientadora não fez nenhum comentário. Queria saber a opinião dela :( Daí o coordenador fez uma pergunta escabrosa u.u mas eu consegui responder (não sei como, porque como mencionei, meu cérebro simplesmente cai fora nesses momentos).

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Vale ressaltar que praticamente só a minha orientadora domina o tema sobre o qual eu falei  (isso à nível da Universidade e dos professores que estavam presentes, claro), o que talvez explique porque não tive tantos hadouken’s e kamehameha’s na minha apresentação, mas tá, estou tentando não me sabotar tirando o meu pequeno mérito de mim mesma (mas tá difícil :D). Resumo da ópera: muitos comentários positivos, nenhum fatality, porém eu invariavelmente quase tive um troço nessa apresentação. Quando voltei pro meu cantinho da invisibilidade duas colegas francesas (mentira, uma é estoniana, mas já mora há bastante tempo na FR) me parabenizaram também. Ao chegar em casa, virei comediante, cantora, dançarina e pirada, de alegria.

00 (15)E assim estou praticamente livre, me faltando só fazer as provas de recuperação que, por sinal, descobri que se tratam em sua grande maioria de provas orais. UATAFÓQUI? E poderei começar a eliminar da minha lista todas as pequenas burocracias que devo fazer antes de deixar essas Terras. E finalmente posso hibernar hoje por umas boas 12, ou quem sabe 15 horas de sono. Só pra constar, o sistema aqui é MUITO legal: duas semanas de provas antes de uma apresentação de trabalho de conclusão de curso. Palmas pra quem implantou esse sistema! E, AAAAAAAAAAAAAAAAAAH *grito de felicidade suprema*

00 (58)E é isso (se alguém tiver lido até aqui) caro leitor, um post enormemente grande, pra uma felicidade gigante :3

*Achei uma utilidade para os meus emoticons do finado msn † *