A Partida

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Não parecia que era eu. Nada daquilo fazia sentido. Não era eu quem estava entrando naquele avião. Era como se eu estivesse imarsa em um tanque de água com gelo, onde tudo parecia irreal, e eu parecia estar vendo tudo de cima, como se não estivesse em minha própria pele. Foi difícil, mas imaginei que seria pior. Na conexão no Rio de Janeiro (ou era São Paulo?) a realidade foi pesando:

“Vocês são do Ceará?Ciências sem Fronteiras também ?”

No final, devíamos ser um grupo de mais de 20 intercâmbistas, eu acho. Ainda assim, naquele momento eu ainda não me sentia normal. Parecia que estava em outra órbita. As últimas mensagens trocadas pelo celular com meu amor. Uma looonga viajem estava por vir. A comida do avião parecia boa, mas não tinha fome. Um casal tentou conversar comigo sobre a comida, mas como eu só acenava, o cara chegou a perguntar se eu falava português. Até quando isso? Dormi, acordei. Tava escuro lá fora. O relógio ainda estava com o horário do Brasil. Fazia as contas pra saber que horas eram. Dormia de novo. A comida chegou. Comi. Dormi. Todos conversavam, assistiam filmes; eu, só queria dormir. De repente, fazia sol. O computadorzinho nos dizia que estávamos passando por Portugal. Mas já? Então é verdade mesmo? E parecia que uma nova vida começava…
Nos últimos momentos da viajem não consegui mais dormir. Ouvi Beatles e aquela musica do Rolling Stone que tem no Guitar hero, que eu não lembro o nome. E finalmente chegamos. Quase 24 horas de viajem. Corre pra pegar a mala. Pessoas falando francês. WHY? Eu quero a minha mãe e a segurança da minha casa! No final deu tudo certo, uma boa alma me aguardava no aeroporto, e seguimos para uma noite de sexta-feira e um sábado em Paris.

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