Impressões do Velho Mundo

Sabe, eu tenho uma opinião muito melhor do que pensei que teria sobre os franceses. Ok, eu não tenho intimidade com nenhum, talvez por isso mesmo eu não encha o peito pra enumerar os “defeitos” deles. Minhas relações com eles é limitada pela linha da polidez proveniente da falta de intimidade, o que torna tudo muito civilizado e cheio de “Bonjours“, “Bonne journée“, “Ça va” e simpatia gratuita.
Porém, só agora, observo uma coisa: eles têm (e quando digo eles, refiro-me aos professores) uma mareira completamente sem tato para lhe dizer que você fez algo errado. E só percebi isso depois de tantas vezes ver outro rapaz (o “lesado” da turma; a lesada, lógico que sou eu) ser tratado de forma um tanto quanto áspera ao ser corrigido por um professor. Depois de várias vezes ter sentido dó dele, começo a achar que não é algo “normal”, pro meu padrão de vivência no Brasil, a maneira como somos tratados aqui quando cometemos erros. Devo dizer que eu os cometo constantemente, sempre que possível. Semana passada mesmo o professor me olhou com uma cara de quem dizia “Você é louca, minha filha?” (nunca um professor me olhou com uma cara tão feia e desconcertante). Só porque eu coloquei no quadro que 60*60 dava 120. Sim gente, eu faço conta nos dedinhos, papel, calculadora e demoro mais do que as outras pessoas em geral e, quando tenho que usar a cabeça não vai ser indo pra frente do quadro e  sob pressão que eu vou dar a resposta certa.

kaichou (4)Acho que é mais ou menos assim que fico quando vou pro quadro.

LuckyStar (3)

Ou assim.

Eles adoram dizer “O que você tá fazendo?”, “Porque você fez isso?” de uma forma bem pedante quando a gente faz alguma besteira. Eu em geral não sei o que raios estou fazendo (!). Ah e ainda tem a cara que eles fazem…Ah aquela cara de c*. Isso sim me irrita! Em geral fazem isso quando não entendem o que estou falando e a impressão que  tenho é a de que estou com uma fantasia verde com antenas na cabeça e uma nave espacial do meu lado piscando em néon. Poucas vezes eu me incomodei ou fiquei sentida com a forma como eles me tratam, acho que minha vergonha ou vontade de voltar à invisibilidade é tão grande que só quero que eles passem pra próxima vítima e me deixem em paz no meu cantinho. Então não sobra espaço pra mimimi. Acontece que toda vez que vejo como tratam o tal do rapaz, que também é estrangeiro, mas de país francófono, eu me incomodo bastante e sinto que estão o humilhando. E não é diferente da maneira como me tratam, apesar de que não me sinto humilhada. Não quero pintar os franceses aqui de rudes e acusá-los de humilhar as pessoas. É a forma deles de reagir e provavelmente eles nem estão querendo ser maldosos e os alunos nem se ofendem com isso. Estive tentando me lembrar como era no Brasil, só que não lembro. Par contre não vem nenhuma cena na minha memória de situações parecidas que tenham ocorrido no Brasil e, principalmente dos professores fazerem cara de c* pra gente.

De um modo geral, adoro a simpatia e cordialidade gratuita dos franceses. E todo mundo diz que o povão do Sul é mais tranquilo, talvez isso explique muita coisa, mas ainda são franceses e, acima de tudo, europeus. Povão “sem frescura” só o brasileiro mesmo. Temos muita imundície disseminada entre o nosso povo, mas o tal do “calor humano”, acho que desse aí o nosso povo foi bem servido. Pelo menos é a impressão que consigo ter nesse momento, à uma dorsal meso-oceânica de distância. (:

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Portuga

Já faz mais de um mês que fiz a viagem pra Portugal caro leitor, mas ainda é válido deixar aqui as minhas impressões de Lisboa. Essa viagem teve vários gostos. Quero mais. Solidão(boa). Casa. FEIJÃO e GUARANÁ ♥. Pastelzinho de Belém. “Maixx um aqui pra essa menina!” (sotaque mega-fofo português). Sério, me apaixonei pelo sotaque deles. E por eles. Há quem diga que são uns grossos, com eles ou é 8 ou 80. Bom, se for assim, só posso dizer então que tive muita sorte, porque todos que encontrei pelo caminho foram deveras simpáticos comigo.

DSC07488Pinga esbanjando felicidade por estar em Portugal :)

Gostaria muito de ter passado mais tempo lá. Conheci quase nada da cidade. Fiz uns passeios sozinha. A segurança de saber a língua me deixou com uma sensação de liberdade incrível, ao mesmo tempo em que tinha a sensação de estar em casa. Peguei ônibus errado. Desci em ponto errado. Me perdi. Me achei. Quase perdi o show do Teatro Mágico, que foi mágico, diga-se de passagem. E foi assim, dando errado que deu tudo certo. No primeiro dia que cheguei fui com um brasileiro comer um pratão de feijão, arroz, salada, picanha (só faltou a farofa) e uma latinha divina de guaraná. Mal a gente sentou e olha só: duas brasileiras sentaram-se do nosso lado. Brasileiro é praga que brota da terra, só pode. E cotoco pra quem tem “brasileirofobia” só porque está na fora do país! Sim, ficamos feito retardados dizendo “Aaaah, vocês são brasileiros! Da onde?” e depois daí a conversa desatou animadamente. Tenho minhas dúvidas se o encontro de desconhecidos de uma mesma  nação seria assim tão caloroso quanto o que pude participar, mas não vou pôr em questão aqui diferenças étnicas e culturais.

A visita ao aquário foi um espetáculo a parte. Sim, aquários já estão me cansando (esse foi o quarto que visitei, sem contar que já visitei duas vezes o de Barcelona :D) mas as lontras foram um espetáculo à parte. Elas são MUITO lindas! Dava vontade de pular na água e abraçá-las (e apertar beeem muito), sério.

IMG_0522Estou te seduzindo com vigor!

Nessa viagem eu dormi pela primeira vez em aeroporto (Ryanair e seus horários super práticos). Achei que não iria conseguir dormir, mas não é que capotei por umas 2 horas! Cheguei lá e ainda tinha uma certa movimentação no aeroporto, mas pouca. Ajeitei minhas “trouxas”, coloquei um filminho pra assistir e 1h e 30 se passou, mas…ainda tinham umas 6h pela minha frente, e eu não sabia o que fazer com elas, já que estava com medo de dormir ali e alguém me roubar, me carregar, me dar um susto, vai saber o.o Lá pela meia-noite o último vôo saiu, a movimentação já quase não existia e eu estava lendo meu livro quando todas as luzes se apagaram. Sim, mas não ficou completamente escuro, tinha uma certa iluminação que vinha não sei de onde. Daí ler já era quase impossível, e eu vi algumas pessoas deitadinhas e comecei a ficar com vontade de fazer o mesmo e, capotei. ‘-‘ Foi uma sensação estranha acordar depois de um tempo (sentindo dores no corpo, claro). Parecia que eu estava em outra realidade, sei lá. Nostalgias. Um certo deslocamento da órbita. Depois fiquei me dividindo entre cochilos de meia hora e a leitura de algum capítulo, até dar às 5 da manhã e poder passar pra outra sala. No avião vi uma coisa que sempre quis ver: o sol nascendo, e só posso dizer que foi lindo! *-* Aquela bolona laranja que vai surgindo do nada e bem rápido já se transforma numa bola de claridade que lhe impede de olhar pra ela diretamente.

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Percebi que foi a primeira vez que viajei de avião sozinha (a ida pra França não conta porque estava com um amigo, e minha condição psicológica era de torpor total, que durou por 3 dias) e foi bom que só dessa vez eu tivesse visto de dentro do avião o sol nascendo. Porque foi um momento só meu. De mais ninguém (nem seu, meu caro leitor =P). O momento foi quase como um segredo meu e do céu.

Nessa viagem acabei passando por Vigo também, que teve gosto de chuva e frio. O bastante pra ser perfeito pra passar o dia dormindo e broxante pra sair de casa. Teve gosto de descanso. Teve gosto de riso. Teve gosto de cansaço (subidas malditas ¬¬), de névoa, de cenário de filme. Teve gosto de Mel’s (Obrigada, MV)!

IMG_1225Pra sentir o gostinho de como era lá dentro da Mel’s (em clima de Valentine’s Day)

Entre minha casa, Lisboa e Vigo tiveram além da viagem de avião, longas horas em ônibus que, estranhamente, eu gostei. Especialmente de viajar a noite ouvindo Terrible feelings (Obrigada Tay), era uma coisa que combinava: solitude + on the road na noite + Terrible feelings.

Pra sentir o gostinho: