As velas do Mucuripe vão bater no Planalto Central

Então, esses dias bateu aquela saudade de casa. Daquele gosto que nunca gostei muito, mas que já estava acostumada e que agora sinto falta. Aquele gosto de Fortaleza. De casa. De Mainha e Painho. (Da comida eu nem menciono mais porque já é um pleonasmo). Um sábado a tarde no Dragão do Mar, apesar de nunca ter frequentado tanto quanto eu gostaria, também fez falta esses dias. Não foi a primeira vez que esse sentimento bateu na porta do 117, mas dessa vez foi mais intensa. Dava quase pra sentir o gosto de Fortaleza. Apesar do calor infernal, pelo menos eu não tenho um drama interno todas as manhãs do tipo: Hoje dá pra sair de saia? Levar ou não o casaco, eis a questão.

Nesses momentos o melhor a se fazer é ouvir músicas, brasileiras, claro. Foi por isso que vim com todo meu arsenal de músicas, mais um up dos meus dvd’s do Teatro Mágico. Pensei que eles seriam os mestres em sanar minha saudade, que com eles eu me sentiria mais em casa.  E são, mas descobri que não são os mestres supremos. Não foi TM, Manacá, Jeneci nem Tiê que me fizeram voltar a sentir aquele gosto insosso e barulhento de Fortaleza, mas sim Selvagens à Procura de Lei (merci Tay). Não esperava que fosse o som “sujo” deles que mais me fosse fazer sentir em casa. Digo “sujo” pois não sou exímia conhecedora de denominações musicais. Eu diria que é um rock-fundo-de-garagem-sujo. Nada das letras poéticas de TM ou Jeneci. O som talvez. Aquele som meio “início de carreira” de bandas regionais. A palavra deve ser essa: Regionalidade. Vai ver foi isso.

O som deles também está sendo uma terapia de defenestração. Afinal, 3 meses isolada, sem muitos amigos, e altas dificuldades nas disciplinas não dá pra aguentar sem muita revolta, drama e choro. Ah, maldita incapacidade de socialização… mas deixa isso pro meu psicólogo <3

A palavra é: Hétérogénéité

Pra quê tanto acento numa só palavra eu não sei. Então, finalmente as aulas começaram. Nos primeiros dias tive a impressão de que as aulas estavam sendo apenas revisões, por enquanto, pois os professores explicavam os assuntos de uma maneira bem superficial e já passavam para outro. Agora, já não sei mais o que pensar…

Primeiro dia: Teve aula de Écologie e o professor já disse que próxima semana e na outra terá aula de campo! o.o Aula chatíssima de Gestion des Environnements, com direito a legislação francesa sobre a utilização da água potável; uatafóqui? (É, sobrevivi)

Segundo dia: Tensão. Três horas de aula de Géochimie. Eu, muito bem tentando copiar os slides, quando a professora desligou tudo e entregou uma folhinha com um exercício super simpático sobre a desintegração de num sei que elemento. E claro, um não foi o suficiente, ela entregou mais duas folhas de exercício, e depois de dar um tempo pra gente responder as questões, tempo este que passei apenas olhando pra folha em branco, ela gentilmente convidava alguém pra ir ao quadro corrigir. Adivinha quem ela chamou por último? (sos)

Terceiro dia: Teve Océanographie Pysique e me senti like a sir durante a aula, mas apenas por ter uma noção do que a professora estava falando, porque na real, não lembro mais nem pra que lado Coriolis atua em cada hemisfério.  (Mais do mesmo)

Quarto dia: Perdi as aulas da manhã. Coisas burocráticas para resolver. Na aula da tarde, mais pânico. A professora falava de uns processos…sei lá do que ela falava, que nunca ouvi falar na minha vida. (Não, não irei sobreviver)

Quinto dia: Surpreeesa. Você pensa que só terá uma aula pela manhã e outra a tarde, e aparece do nada no horário uma aula de Géochimie de 9:30 às 12:30. Pânico pânico pânico. (Quantos mil eu vou dever pra Capes mesmo?). E nem comentarei o modelito super nativo(?) do meu professor de cachecol listrado, camisa rosa com manga azul turquesa e casaco azul céu.

Aqui as disciplinas são por módulos, onde dois módulos são de disciplinas obrigatórias (com três disciplinas cada) e três módulos de disciplinas “optativas”, mas que na verdade você não tem muita escolha (cada um com 2 disciplinas), somando 12 “disciplinas”. E a boa notícia: Eu, mesmo estando em um programa d intercâmbio, sou obrigada a fazer todas as disciplinas. Alguém tem alguma dúvida que estou quase pra arrancar até os cabelinhos da sobrancelha? =x O horário muda a cada semana. Me recomendaram de toda noite verificá-lo. Você se sente eternamente um “bixo”, todos os dias a gente tem aula em blocos e salas diferentes. Até os veteranos têm problemas para encontrar as salas. Na minha turma só tem 9 pessoas, todos franceses, e mais 2 pessoas da Alemanha que fazem algumas aulas com a gente. Eles se mostraram bem solícitos comigo. (: Aparentemente, o sistema aqui é um combo master de aulas todas de uma só vez ao mesmo tempo já e depois trabalhos pra casa, provas antes do natal e depois do natal e fim de janeiro, fim do primeiro semestre. Vamos ver se sobrevivo pra contar a história.

Copiando tudo alucinadamente, com observações em pt

p.s: Hoje a mulher do Serviço de Relações Internacionais disse que eu falo muito bem o francês, oun *-*